5678 é um avanço ao passado de Filipe Sambado. A numeração que dá título a este disco remete para o 1234, EP de quatro canções editado em 2012, e invoca a ideia do passar do tempo. Não só na sua diegese como musicalmente, num redescobrimento do cancioneiro de Sambado arranhado pela guitarra elétrica para cantar dores românticas ora sussurradas, ora vociferadas.
Na suspensão do presente e na celebração do passado, em 5678 Filipe Sambado continua a contar - e a olhar - para a frente.
Este lançamento é englobado na comemoração do décimo aniversário de “Vida Salgada”, disco que serviu de rampa de lançamento para a sua carreira, no Porto (27 de Março, RCA) e em Lisboa (4 de Abril, Casa Capitão).
“Quem Eu Quero Agora” é a nova música de Picas. A proposta de uma auto-reflexão sobre a duração e a intensidade de momentos partilhados com alguém próximo serve de mote ao novo tema. A artista prepara-se para editar o seu álbum de estreia, já no próximo trimestre. No novo trabalho a artista assume a escrita de todas as músicas.
“Esta música fala sobre amores passageiros, encontros que podem não durar para sempre, mas que, em determinado momento são intensos e verdadeiros. Parte da ideia de que a vida também é feita de ligações imperfeitas, de relações que surgem no tempo errado ou que simplesmente não foram feitas para durar uma vida inteira, mas que ainda assim nos marcam. A canção assume a honestidade de querer alguém no momento presente, mesmo sem promessas de eternidade.”
Em “Quem Eu Quero Agora”, Picas traz as suas palavras munidas de uma sonoridade urbana, onde a eletrónica cria espaço para refletir na mensagem emocional que começa no perdão e viaja até à auto-reflexão, revelando vulnerabilidade.
Na intimidade do seu quarto, a artista compôs a música, partindo de uma ideia na guitarra e mais tarde juntando a participação de músicos como Bonança (guitarras) e Guilherme Melo (bateria), além da produção de Jon.
Para a composição estética da música, o vídeo para “Quem Eu Quero Agora” conta com a realização de Victor Hugooli e produção da Nefelibatas Films.
Natural do Porto, licenciada em Ciências da Comunicação com especialização em Cinema,
Picas estudou Jazz no Hot Clube de Portugal, tendo sempre a escrita como sua companheira. Ainda este trimestre, Picas apresenta o seu novo álbum, que conta com temas já conhecidos como o caso de “7+7=14”, “Promessas” e “Última Vez”.
O cantautor Carlos Sanches edita o primeiro álbum de originais "Cães e Crianças". Depois de vários EPs e os singles de avanço 'A Minha Casa' e 'Para a Primavera Nascer', o artista natural de Chaves reúne 9 canções indie-folk da sua autoria, entre as quais colaborações com MALVA e Teresa Queirós.
"A criação deste álbum surgiu da busca por um sítio de simplicidade e vulnerabilidade, que tenho vindo a procurar cada vez mais ao longo destes últimos anos de lançamentos. Quis que soasse bastante caseiro, despido e 'simples'. Mesmo sendo o meu primeiro longa duração e, apesar da simplicidade, foi na verdade um processo bastante complexo em todas as etapas", revela Carlos Sanches.
O músico explica também que "aquilo que quero passar com este disco é que nada é para sempre nem perfeito. Os relacionamentos, tanto pessoais como amorosos, têm sempre os seus problemas e é necessário apreciar as coisas simples e bonitas que temos no momento, mesmo que não seja exatamente aquilo que queríamos".
Sobre o título, Carlos Sanches conta que "as crianças simbolizam que, cá dentro, somos todos apenas crianças a tentar viver num mundo feito para adultos e que temos de pôr máscaras para proteger aquilo que temos. Os "Cães e Crianças" são também dois símbolos da busca da simplicidade e do viver no momento, um objetivo a alcançar: 'ser como um cão feliz nos dias que vêm aí'”.
Constança Quinteiro revela “Ipanema”, um novo tema pop com subtis influências de bossa nova que reafirma a sua escrita íntima e a identidade sonora marcada pelas linguagens da lusofonia.
Escrita pela própria artista, com música assinada por Constança Quinteiro, GEMIINY e Giordanno Barbieri, produção de GEMIINY e mistura e masterização de Tayob J., a canção constrói uma narrativa delicada sobre vulnerabilidade e aceitação.
A letra parte do desejo de corresponder a padrões de beleza e perfeição - “quis ser perfeita como essas estrelas de cinema” - para, gradualmente, afirmar uma identidade que se assume imperfeita, humana e real.
Entre humor, ternura e autoironia, a canção confronta a distância entre o ideal e o íntimo, revelando uma protagonista que se descreve como “um caso sério de defeitos”, mas que é amada precisamente na sua imperfeição.
O tema ganha dimensão emocional através do olhar do outro: enquanto a narradora se vê distante do ideal, a pessoa amada celebra os seus gestos quotidianos, a sua presença desarmada e real. Esta tensão entre autocrítica e aceitação transforma-se num retrato sensível do amor contemporâneo, onde a vulnerabilidade se torna espaço de intimidade e reconhecimento.
Musicalmente, “IPANEMA” acompanha essa leveza emocional com uma abordagem sonora elegante e orgânica. A cadência inspirada na bossa nova cruza-se com uma estética pop contemporânea, criando um ambiente suave e envolvente que ecoa referências lusófonas e a sensibilidade soul que tem marcado o percurso da artista.
Natural de Sesimbra, Constança Quinteiro começou a cantar e a compor em 2008 e integrou o projeto indie pop/rock MEDVSA, com um EP editado e presença na final do EDP Live Bands 2018. Num momento de viragem pessoal e artística, mudou-se para Londres, onde estudou Performance Musical no ICMP e Produção Musical na Garnish Music Production School, descobrindo a sua identidade criativa. A influência de sonoridades lusófonas e artistas como Dino D’Santiago, Mayra Andrade e Gilsons, aliada à R&B e à soul, ajudou a moldar uma linguagem própria.
Depois de “Trovoada", que integra a banda sonora da novela Páginas da Vida da SIC, Brisa revela “Deserto”, o novo single que chega hoje às plataformas digitais e aprofunda o universo emocional e conceptual da artista.
Em “Deserto”, Brisa recorre às imagens contrastantes do mar e do deserto para explorar a imensidão de sentimentos que muitas vezes permanecem reprimidos. Se “Trovoada” representava a tempestade necessária para libertar tudo aquilo que permanece guardado, “Deserto” surge como o momento seguinte: o vazio que fica depois da explosão emocional, mas também o espaço onde se pode reconstruir e aceitar todas as versões de nós próprios.
Com música de Brisa e Diogo Guerra, letra da própria artista e produção assinada por Guerra, o novo tema constrói-se como uma narrativa sonora em crescendo.
A canção começa de forma contida, quase introspetiva, introduzindo os sentimentos que se escondem por baixo da superfície. À medida que a música cresce, a intensidade acumula-se até atingir um clímax catártico que marca a decisão de aceitar e vestir com orgulho todas as versões de si própria: o bom e o mau, a alegria e a dor, o amor e a revolta.
A voz de Brisa volta a encontrar a produção de Guerra, numa colaboração que reforça a identidade sonora da artista e amplia o alcance emocional da canção.
O resultado é uma experiência musical libertadora e empoderadora.
Este novo lançamento surge depois da renovada atenção dada a “Trovoada”, single lançado a 9 de maio de 2025 e recentemente apresentado numa versão acústica especial para assinalar a escolha da canção como parte da banda sonora da novela Páginas da Vida.
O tema marcou um momento importante no percurso artístico de Brisa, afirmando-se como uma poderosa catarse emocional.
Conhecida pela sua escrita honesta e profundamente melódica, Brisa tem vindo a conquistar o público português com um universo artístico que dialoga diretamente com as emoções humanas.
Essa abordagem ganhou forma no seu EP de estreia CASULO, um percurso conceptual que atravessa o caos interior, a introspeção e a transformação, com temas como “Nuvem”, “Férias de Mim”, “Outro Mar” e “Metamorfose”.
Além da sua carreira a solo, Brisa tem também vindo a afirmar-se como compositora, tendo sido coautora da canção que alcançou o segundo lugar no Festival da Canção 2023, consolidando o seu lugar entre as vozes mais promissoras da nova música portuguesa.
PZ apresenta “Sou Pai de Filhos”, o novo single de "Álbum de Família", com a participação especial do coletivo musical Retimbrar. A canção chega mesmo a tempo do Dia do Pai e é o terceiro capítulo deste álbum que será revelado ao longo de 2026, música a música, mês a mês.
Entre o humor e o amor de Pai, PZ aborda o quotidiano familiar com a ironia que marca a sua escrita, lembrando que educar também é saber brincar e manter viva a criança interior. Na letra surgem imagens do universo doméstico e da vida com crianças — “andam a comer bombons e bananas e a desaparecer quando lhes apetece” — retratos simples e reconhecíveis que misturam caos e alegria na mesma medida.
A presença dos Retimbrar acrescenta uma dimensão especial à música.
Conhecidos pela sua abordagem festiva e coletiva da tradição portuguesa, os músicos parecem, nas palavras de PZ, “crianças quando tocam música”, trazendo uma energia lúdica e contagiante à gravação. Com xilofones, bateria, violino e percussões, a canção ganha uma atmosfera quase onírica — um lugar onde a infância volta a existir e onde a música ilumina a casa. O resultado é uma canção que celebra a paternidade mas também o lado infantil que todos transportamos e que muitas vezes se perde com o tempo.
O videoclipe foi realizado por Vasco Mendes, colaborador regular deste projeto audiovisual que acompanha cada lançamento do "Álbum de Família". Tal como nos capítulos anteriores, o vídeo nasce das sessões de gravação nos Estúdios Arda, captando a espontaneidade dos músicos e o espírito familiar que atravessa todo o disco. A gravação e mistura ficaram a cargo de Zé Nando Pimenta, responsável técnico das sessões.
O trio portuense Plano Trifásico estreia-se com "A Morte da Gárgula", um primeiro disco que desmonta hierarquias musicais e confronta tradições, cruzando a disciplina do ensino clássico com a energia crua do punk.
O single de avanço, com o mesmo nome, é lançado a 24 de março de 2026, antecipando o concerto de apresentação a 31 de março, às 19.00h, no Hotelier (Rua Anselmo Braamcamp, 324, Porto) — data em que o álbum ficará também disponível nas plataformas de streaming (com exceção do Spotify).
Com o apoio à edição fonográfica de Intérprete 2024 da Fundação GDA e do Programa de Apoio a Projetos 2023 da Direção-Geral das Artes, "A Morte da Gárgula" materializa o encontro entre três percursos distintos que convergem numa linguagem comum feita de tensão, repetição e confronto. O disco oscila entre a tentativa de conciliação tímbrica entre o baixo elétrico, o eufónio e o saxofone, e a exploração assumida das suas fraturas.
Mais do que um álbum de estreia, "A Morte da Gárgula" é uma declaração de intenções: um processo criativo conturbado que procura derrubar as “gárgulas” do cânone e da tradição musical, assumindo a discórdia como motor composicional.
Formado em 2022, o Plano Trifásico nasce de um encontro improvável entre mundos paralelos. Inês Luzio (eufónio e flugabone) e Sofia Teixeira (saxofones), vindas do universo das bandas filarmónicas e da formação clássica, cruzam-se com Zé Figueiredo (baixo e sintetizador), músico autodidata com um percurso enraizado em projetos ligados à música alternativa.
A partir de um primeiro encontro numa pastelaria, onde se partilham referências e linguagens diversas, o trio encontra um território comum na música minimalista, explorando padrões sequenciais, manipulação de timbre e afinação, tanto em regime acústico como eletrónico.
O resultado é uma música que tanto evoca uma marcha de procissão como o krautrock, onde o rigor estrutural convive com a energia bruta, e onde as divergências são não só assumidas, mas ampliadas.
Gravado, misturado e masterizado por Quico Serrano, com fotografia de João Pádua e arte gráfica de Maria Mónica.
António Zambujo edita hoje Oração ao Tempo, o seu décimo primeiro álbum, já disponível em todas as plataformas digitais. Neste Dia do Pai, o lançamento é acompanhado pelo videoclipe de “Regresso à Infância” e antecede os concertos de apresentação nos Coliseus, Porto Ageas, a 11 de abril, e dos Recreios, em Lisboa, nos dias 16 e 17 de abril.
Segue-se uma digressão no Brasil, durante o mês de maio.
Nos quinze temas de Oração ao Tempo, além do tema-título, primeiro single, da autoria de Caetano Veloso, gravado em dueto com o músico brasileiro, há novas colaborações entre António Zambujo e autores e compositores que têm marcado a sua discografia, como Maria do Rosário Pedreira, João Monge ou Pedro da Silva Martins.
Ao mesmo tempo o novo álbum integra vários nomes da música portuguesa contemporânea, entre os quais Carolina Deslandes, Mimi Froes, Rita Dias e Diogo Zambujo. Há ainda versões de Tom Jobim e Torquato Neto, e poesia de Vinicius de Moraes, Amália Bautista e João Paulo Esteves da Silva, que emerge em momentos de declamação.
Conhecemo-lo como Mike El Nite mas, como ele nos considera seus amigos, podemos chamá-lo “Simplesmente Miguel”.
Este alter ego marca o início de uma nova fase na sua carreira, que celebra dez anos em 2026, em que Mike El Nite se descobre numa nova pele — a de cantor — e onde a proximidade com o público se torna absoluta.
A sua música descola-se dos cânones do rap para mergulhar no universo da pop romântica e do neo-romantismo, com influências da música ligeira portuguesa, da estética dourada da canção melódica e de uma certa nostalgia sonora dos anos 80 e 90.
Este não é apenas um novo capítulo. É um encontro marcado nos palcos: Miguel convida-nos para um date com a vida, com a música e com ele próprio — um encontro romântico, existencial, profundamente humano e mais próximo que nunca.
Fiquem por aí, o “artista de variedades” e cantor romântico do futuro está a caminho.
Após o lançamento do último álbum, hipersensível, Rita Onofre apresenta BRUTA, o seu segundo disco de longa duração editado a 18 de março de 2026, acompanhado de single homónimo.
BRUTA explora uma sonoridade eletrónica intensa, onde vulnerabilidade e espiritualidade se encontram, traduzindo a sensação quase física das emoções. Liricamente e melodicamente, pretende ser intuitivo: o álbum é melancólico, mas nada é triste nem feliz, está tudo no limiar, à flor da pele. É um pé na porta, um manifesto sonoro que afirma presença, autenticidade e intensidade.
BRUTA joga com música eletrónica, rock e canção. Nas palavras de Rita Onofre: "é um álbum para levar nos phones para enfrentar o mundo, como uma experiência íntima e profunda, mas também concebido para o palco, onde se revela em grande aquilo que é intenso e em pequeno aquilo que é frágil e vulnerável. Este é um álbum que demorou o tempo que a música merece ser demorada, experimentada, e que não pretende acomodar, mas desafiar."
Composto na totalidade pela artista, com a colaboração de NED FLANGER, alter-ego de António Souto, produtor e músico da nova geração portuguesa, conhecido pela sua abordagem inventiva e pela capacidade de cruzar géneros musicais sem barreiras.
Em BRUTA, NED FLANGER afirma-se como uma força criativa incontornável, exigente e visceral, elevando a qualidade e a profundidade das canções e ajudando a revelar nelas uma verdade artística sem concessões.
O álbum é dos dois, fruto de uma entrega criativa total que elevou cada detalhe do projeto. Conta também com baterias gravadas por Francisco Santos nos temas “crescer”, “ainda resta” e “bruta”.
A finalização do álbum cruzou-se com uma grande mudança na vida de Rita Onofre: a emigração para Berlim. Uma procura por novos desafios pessoais e profissionais, que permita continuar com o foco na sua carreira artística.
É aqui que foram terminadas algumas das canções, e produzidos os conteúdos visuais que acompanham BRUTA. Esta transição pessoal impregna o projeto de um novo significado, fazendo com que a criação se torne também um reflexo de deslocamento, renovação e reinvenção.
Hoje, em dia de lançamento de álbum, Rita Onofre edita também o single homónimo "bruta", uma canção que nas suas palavras é "pra quem sai da cama apesar de tudo, é uma dança entre constatar o estado do mundo e continuar mesmo assim. Foi em bruta que fechámos o universo do álbum, e é com ela que o apresentamos ao mundo. Um álbum que une o feminino ao lado escuro de existir."
O álbum de estreia de Estela Alexandre, "Cantomilo", que conta com a participação de alguns dos mais notáveis músicos do jazz nacional, está entre os nomeados dos Play - Prémios da Música Portuguesa, a grande celebração da música nacional que anualmente reconhece os artistas, as suas obras e os projetos mais inovadores da cena musical portuguesa.
A gala de apresentação dos prémios realiza-se no dia 23 de abril de 2026, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
"Cantomilo" propõe uma experiência sonora cinematográfica, concebida para criar uma relação com o público, convidando a uma viagem emocional e imersiva através da música, como se de uma banda sonora se tratasse.
A música de Estela Alexandre reflete também as suas diferentes influências, celebrando a música portuguesa e assumindo outras bandas sonoras como inspiração.
A ideia para o disco surgiu na sua Terra Natal, em Cortes – Leiria, quando a compositora e pianista se deparou com uma nova valorização e perceção da natureza como mecanismo de inspiração para a criação.
Este contexto de introspeção e observação influenciou profundamente o álbum, que acabaria por receber o título de «Cantomilo», numa homenagem ao local onde a expressão criativa floresceu.
Tiago Nóia apresenta “Comem Tudo”, novo single que antecipa o seu primeiro longa duração, com edição prevista para setembro. A canção encontra-se disponível exclusivamente no bandcamp do artista, soundcloud e no youtube, acompanhada por um visualizer que reforça o universo estético e crítico do tema.
“Comem Tudo” surge como uma canção direta e incisiva, que coloca em primeiro plano uma crítica frontal ao capitalismo contemporâneo. A música estende “na mesa, a nu, um prato cheio de fome”, evocando a ideia de um sistema voraz e insaciável que transforma o consumo numa nova divindade.
A imagem central da canção aponta para um capitalismo “canibal”, erguido como um novo Deus sobre as sociedades modernas - uma força que pune o amor próprio e fragiliza o cuidado pelo outro. A pergunta que atravessa o tema permanece inquietante: “o que sobra de nós quando de nós não sobra nada?”
A letra transforma essa reflexão num retrato social marcado pela ironia e pelo desencanto. “Eles comem tudo e deixam nada”, canta Tiago Nóia, numa frase que resume o sentimento de exaustão perante estruturas que prometem progresso enquanto aprofundam desigualdades.
Ao longo da canção, a narrativa expõe a tensão entre sobrevivência e alienação, evocando um quotidiano marcado pela repetição e pela submissão: “Porque um homem só é livre / Depois de se vender, sempre ouvi dizer”.
O discurso lírico alterna entre sarcasmo e desespero, revelando personagens presas num ciclo de trabalho, promessas e espera. A imagem do trabalhador que aguarda autorização para gestos mínimos - “à espera de quatro em quatro horas posso mijar” - surge como metáfora de um sistema que regula até os instintos mais básicos.
Ao mesmo tempo, a promessa recorrente de que “amanhã vai ser muito melhor” ecoa como um mantra vazio, repetido para manter intacta a ilusão de progresso.
Musicalmente, “Comem Tudo” condensa a identidade estética de Tiago Nóia: uma fusão crua entre energia punk, produção lo-fi e uma escrita marcada pelo surrealismo e pela crítica social.
O tema foi escrito e composto por Tiago Nóia, que assume também a voz, guitarra, produção, captação, mistura e masterização. A canção conta ainda com sintetizadores e teclados de Maria Ana Guimarães e bateria de João Quinhentas. O tema foi gravado na Sala 141 do Centro Comercial STOP, espaço emblemático da criação musical no Porto.
A componente visual - incluindo o artwork e o visualizer de “Comem Tudo” - foi igualmente concebida pelo próprio artista.
Natural da cidade de Machico, na Ilha da Madeira, Tiago Nóia constrói o seu percurso como artista e produtor a solo através de paisagens sonoras cruas e densas de comentário social. O seu trabalho cruza a energia do punk com um imaginário lírico surrealista e uma ironia mordaz que observa os paradoxos da vida contemporânea.
O Piano Day Lisboa celebra-se a 29 de março na Casa Capitão com Sofia Leão, Dora Morelenbaum e Surma. Uma noite imperdível.
Nesta edição de 2026, celebramos o piano no feminino, com três showcases de outras tantas mulheres que encaram o piano com diferentes abordagens, ritmos, melodias e sons. Apenas ao piano, ou acompanhadas de outros instrumentos, estas três artistas vão entregar a sua visão e modo de ser.
Sofia Leão é uma pianista e compositora portuguesa que se estreou em disco e ao vivo este ano com o álbum "Mar”. Em 2026, vai passar por uma série de palcos em Portugal e outros países, apresentando a sua música.
Dora Morelenbaum é uma compositora e intérprete brasileira que lançou o seu disco de estreia Pique em finais de 2024. Já passou por Portugal em vários formatos, desde a solo, em duo ou com banda. Apresenta-se agora ao piano pela primeira vez.
Surma é o alter-ego da compositora e intérprete portuguesa Débora Umbelino. Depois de ter aceite o desafio de participar no Piano Day 2025, repetimos este mesmo convite para um showcase no mínimo especial.